"Sinto"

 

"Sinto"

Portuguese

 

 

“Atravessa-me o vento, meu sonho de ser paisagem voltou, sinto-o dentro”

J.S.

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Sinto um ritual de vencedor

Sinto um ritual de vencedor num corpo derrotado, o que muda são apenas os sonhos que persegui sem sucesso ao longo do tempo e ainda sonho sonhos que não sigo, acatei a derrota 

Com licença poética. Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.

Adélia Prado in “Poesia Reunida”

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Fernando Pessoa

A esperança como um fósforo inda aceso,

A esperança como um fósforo inda aceso,

Deixei no chão, e entardeceu no chão ileso.

A falha social do meu destino

Reconheci, como um mendigo preso.

 

Cada dia me traz com que esperar

O que dia nenhum poderá dar.

Cada dia me cansa da esperança...

Mas viver é esperar e se cansar.

 

O prometido nunca será dado

Porque no prometer cumpriu-se o fado.

O que se espera, se a esperança é gosto,

Gastou-se no esperá-lo, e está acabado.

 

Quanta acha vingança contra o fado

Nem deu o verso que a dissesse, e o dado

Rolou da mesa abaixo, oculta a carta,

Nem o buscou o jogador cansado.

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Fernando Pessoa

A esperança como um fósforo inda aceso,

A esperança como um fósforo inda aceso,

Deixei no chão, e entardeceu no chão ileso.

A falha social do meu destino

Reconheci, como um mendigo preso.

 

Cada dia me traz com que esperar

O que dia nenhum poderá dar.

Cada dia me cansa da esperança...

Mas viver é esperar e se cansar.

 

O prometido nunca será dado

Porque no prometer cumpriu-se o fado.

O que se espera, se a esperança é gosto,

Gastou-se no esperá-lo, e está acabado.

 

Quanta acha vingança contra o fado

Nem deu o verso que a dissesse, e o dado

Rolou da mesa abaixo, oculta a carta,

Nem o buscou o jogador cansado.

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Fernando Pessoa

A esperança como um fósforo inda aceso,

A esperança como um fósforo inda aceso,

Deixei no chão, e entardeceu no chão ileso.

A falha social do meu destino

Reconheci, como um mendigo preso.

 

Cada dia me traz com que esperar

O que dia nenhum poderá dar.

Cada dia me cansa da esperança...

Mas viver é esperar e se cansar.

 

O prometido nunca será dado

Porque no prometer cumpriu-se o fado.

O que se espera, se a esperança é gosto,

Gastou-se no esperá-lo, e está acabado.

 

Quanta acha vingança contra o fado

Nem deu o verso que a dissesse, e o dado

Rolou da mesa abaixo, oculta a carta,

Nem o buscou o jogador cansado.

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Fernando Pessoa

A esperança como um fósforo inda aceso,

A esperança como um fósforo inda aceso,

Deixei no chão, e entardeceu no chão ileso.

A falha social do meu destino

Reconheci, como um mendigo preso.

 

Cada dia me traz com que esperar

O que dia nenhum poderá dar.

Cada dia me cansa da esperança...

Mas viver é esperar e se cansar.

 

O prometido nunca será dado

Porque no prometer cumpriu-se o fado.

O que se espera, se a esperança é gosto,

Gastou-se no esperá-lo, e está acabado.

 

Quanta acha vingança contra o fado

Nem deu o verso que a dissesse, e o dado

Rolou da mesa abaixo, oculta a carta,

Nem o buscou o jogador cansado.

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