Escolho fugir de mim,

 

Escolho fugir de mim,

Portuguese

 

Escolho fugir de mim,

Escolho fugir de mim,
Mas se fugir não terei pra onde ir,
Meu destino é solidão,
Escapar é outra coisa,
É o instante e só a sombra bate em retirada,
Quando nos vamos
E abandonamos nós mesmos.

Escolho fugir “na mesma”
E assim só a sombra é que segue viagem
Não a meu lado mas ficando parada
Ficar é ir, ir é ficar, fugir é desertar,
Escolho fugir a amar…
Pra não deixar saudade,
Nem nada de sobra pra que me chorem,

Como fosse doença,
Escolher é também caminho,
Destinos remotos, sem remorsos,
O que efectivamente faço é respirar fundo,
É suspeitar de tudo que da sombra vem,
Respira ao meu ouvido,
Sorrindo quando eu sorrio, por isso fujo,
Escolho outro caminho, é certo…

Jorge Santos 06/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com

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Comments

Exausto. Adélia Prado

Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.

Adélia Prado

L’Éternité. Rimbaud

Elle est retrouvée.

Quoi ? – L’Éternité.

C’est la mer allée

Avec le soleil.

 

Âme sentinelle,

Murmurons l’aveu

De la nuit si nulle

Et du jour en feu.

 

Des humains suffrages,

Des communs élans

Là tu te dégages

Et voles selon.

 

Puisque de vous seules,

Braises de satin,

Le Devoir s’exhale

Sans qu’on dise : enfin.

 

Là pas d’espérance,

Nul orietur.

Science avec patience,

Le supplice est sûr.

 

Elle est retrouvée.

Quoi ? – L’Éternité.

C’est la mer allée

Avec le soleil.

 

Rimbaud, Poésies completes, Librairie Générale Française, 1998.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A ciência, a ciência, a ciência...

A ciência, a ciência, a ciência...

Ah, como tudo é nulo e vão!

A pobreza da inteligência

Ante a riqueza da emoção!

 

Aquela mulher que trabalha

Como uma santa em sacrifício,

Com quanto esforço dado ralha!

Contra o pensar, que é o meu vício!

 

A ciência! Como é pobre e nada!

Rico é o que alma dá e tem.

 

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A ciência, a ciência, a ciência...

A ciência, a ciência, a ciência...

Ah, como tudo é nulo e vão!

A pobreza da inteligência

Ante a riqueza da emoção!

 

Aquela mulher que trabalha

Como uma santa em sacrifício,

Com quanto esforço dado ralha!

Contra o pensar, que é o meu vício!

 

A ciência! Como é pobre e nada!

Rico é o que alma dá e tem.

 

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A ciência, a ciência, a ciência...

A ciência, a ciência, a ciência...

Ah, como tudo é nulo e vão!

A pobreza da inteligência

Ante a riqueza da emoção!

 

Aquela mulher que trabalha

Como uma santa em sacrifício,

Com quanto esforço dado ralha!

Contra o pensar, que é o meu vício!

 

A ciência! Como é pobre e nada!

Rico é o que alma dá e tem.

 

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