Puder-eu-o-ter

 

Puder-eu-o-ter

Portuguese

 

 

Puder-eu-o-ter

Mar que há em mim,
Puder eu o ter não no lugar
Que tem o mundo, mas no peito,
Profundo, perdido e fundo.

O mar que há em mim passei,
Saudarei da margem dele 
O mar sem farsas falas, pois 
Que hei-de por ele passar,

Eu sei que é o mesmo 
Porque me corre nas veias 
E é salgado tal e qual o sal
No mar imerso e imenso.

Abraço o nosso e o falar
Que não se distingue
No mar entorno que volta fatal
E eu vou ao ritmo da maré,

O mar que há em mim
É supremo, confesso-me
Imperfeito não me alimenta
A beleza, não compreendo

Os elementos nem o critério
Da natureza, da espuma, 
Apesar de fluída e me aperta
O peito, estéril, amiga,

Ouvir o som das águas
E morrer, é como descrever
A própria calma e saltar
Dos ribeiros para o domínio

Que me corre nas veias,
O destino é sentir que vou,
Sem deixar de ser o mar
Que volta e me tem, puder-eu-o-ter,

Confesso-me …

Jorge Santos 08/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com

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Ricardo Reis

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Ricardo Reis

Com que vida encherei os poucos breves

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Fernando Pessoa

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A criança que ri na rua,

A criança que ri na rua,

A música que vem no acaso,

A tela absurda, a estátua nua,

A bondade que não tem prazo —

 

Tudo isso excede este rigor

Que o raciocínio dá a tudo,

E tem qualquer coisa de amor,

Ainda que o amor seja mudo.

Fernando Pessoa

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A criança que ri na rua,

A criança que ri na rua,

A música que vem no acaso,

A tela absurda, a estátua nua,

A bondade que não tem prazo —

 

Tudo isso excede este rigor

Que o raciocínio dá a tudo,

E tem qualquer coisa de amor,

Ainda que o amor seja mudo.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

A criança que ri na rua,

A criança que ri na rua,

A música que vem no acaso,

A tela absurda, a estátua nua,

A bondade que não tem prazo —

 

Tudo isso excede este rigor

Que o raciocínio dá a tudo,

E tem qualquer coisa de amor,

Ainda que o amor seja mudo.

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