Que será da nossa viúva sombra,

 

Que será da nossa viúva sombra,

Portuguese
 
 

Que será da nossa 
Viúva sombra, sem
A mortal vida presa,
Que somos, criamos

Poesia, como deuses
Do cosmos, querendo
Sou iníquo ou único,
Como se existisse “Ecce Homo”

Em mim ou uma luz negra
Assim, tal como há vida
Em nós, contamos com
A morte, pra sermos

Eternos e reais “d’cem-réis”, 
Que será da nossa 
Viúva sombra,
Sem o lugar dos tordos,

Os Maias, os Césares
E a vizinha cega, que
Não sei o nome…
Que será da nossa sombra,

Morta a vida, cega …cegos,
Vivamos todos.

Jorge Santos 08/2018
http://namastibetpoems.blogspot.com

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Álvaro de Campos

Álvaro de Campos

Meu coração, bandeira içada

Meu coração, bandeira içada

Em festas onde não há ninguém...

Meu coração, barco atado à margem

Esperando o dono cadáver amarelado entre os juncais...

Meu coração a mulher do forçado,

A estalajadeira dos mortos da noite,

Aguarda à porta, com um sorriso maligno

Todo o sistema do universo,

Concluso a podridão e a esfinges...

Meu coração algema partida.

Ricardo Reis

Ricardo Reis

Nos altos ramos de árvores frondosas

Nos altos ramos de árvores frondosas

O vento faz um rumor frio e alto.

Nesta floresta, em este som me perco

        E sozinho medito.

Assim no mundo, acim

Ricardo Reis

Ricardo Reis

Cuidas tu, louco Flaco, que apertando [1]

Cuidas tu, louco Flaco, que apertando

Os teus estéreis, trabalhosos dias

        Em feixes de hirta lenha,

        Cumpres a tua vida?

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Fernando Pessoa

A água da chuva desce a ladeira.

A água da chuva desce a ladeira.

        É uma água ansiosa.

Faz lagos e rios pequenos, e cheira

        A terra a ditosa.

 

Há muito que contar a dor e o pranto

        De o amor os não querer...

Mas eu, que também o não tenho, o que canto

        É uma coisa qualquer.

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Fernando Pessoa

A água da chuva desce a ladeira.

A água da chuva desce a ladeira.

        É uma água ansiosa.

Faz lagos e rios pequenos, e cheira

        A terra a ditosa.

 

Há muito que contar a dor e o pranto

        De o amor os não querer...

Mas eu, que também o não tenho, o que canto

        É uma coisa qualquer.

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