Um adeus ingrato

 

Um adeus ingrato

Portuguese

Não sei se tenho esse direito mas por vezes tive inveja de ti. Inveja dos teus momentos com o resto do pessoal, fazendo-me lembrar das nossas saídas, das nossas gargalhadas e até mesmo das nossas asneiras. As vossas aventuras do presente nostalgiam as do passado e a distância entre nós chega ao ponto de meter no meio o próprio sentimento de perda. O frio de oceanos e tempestades não se compara ao frio da solidão. Sinto falta da nossa mini, das nossas conversas e daquela palavra amiga. O abraço de despedida carregado já de saudade leva-me a querer servir o país e a nossa bandeira com o mesmo afinco que tu fazias à tua maneira. A conversa podia revelar-se repetida muitas vezes mas as palavras contidas nelas vinham sempre carregadas de sentido. As melhores coisas são as mais simples e se a nossa amizade parecia simples a sua razão de ser é bem mais profunda. Foi em mais um jantar do nosso grupo que te conheci e não bastou muito para ganhar mais um irmão. Nunca te disse mas um amigo é um irmão que a vida não quis que viesse da mesma mãe. Se calhar devia ter-te dito isso mais vezes. Não…devia ter-te dito isso e muito mais. Com mais sentido não sei. Para o bem e para o mal o que sou hoje também o devo a ti e a minha soma de vitórias é feita graças a isso. Celebraste-as como se fossem as tuas e se isso não é a mais pura das amizades não sei o que mais é. É essa dívida que me faz pensar se a ia pagando devidamente. Se quando conseguia estar contigo se te ouvia e te ajudava como devia. O mar é cruel e separa caminhos mas isso não significa que não os volte a cruzar e nunca os apaga. A impotência de te ver partir é difícil de suportar e na revolta das dúvidas e porquês só queria que ficasses. Dois dedos de conversa talvez mudassem o nosso mundo e talvez o meu abraço em vez da minha ausência mudassem isso mesmo. Não que eu seja algo de especial mas gostava de ter sido esse amigo para ti. Tu merecias isso. Por favor perdoa-me se a tua partida me fez querer bater-te enquanto perguntava-me porquê para de seguida compartilhar algumas lágrimas de compreensão pela dor da razão das coisas serem assim. Por favor perdoa-me por ser egoísta e querer que ficasses entre nós. E no meio deste egoísmo ainda te peço que me perdoes por não conseguir despedir-me de ti como deve de ser e como merecias. Mais que ninguém compreendes a minha luta e a minha missão. As tuas palavras para ter força e que mereço ser feliz são palavras que nunca esquecerei nem conseguirei pagar. Farei o que me pedes e continuarei a seguir em frente a sorrir. Os nossos jantares ficarão mais pobres mas haverá sempre um lugar e um copo para ti. Não tenhas medo de bater à porta. Ela estará sempre aberta para ti. A vista não é a de Nova Iorque mas a da nossa terra também é gira e se a água não é quente como a do Mar Negro a tua amizade aquece até a da nossa praia de São Pedro. Há cerveja no frigorífico e vinho na mesa se quiseres. Não precisas de trazer nada só o teu abraço. Fica no meu lugar enquanto faço alguma coisa, só não percas o andamento. Se ajudas levas com a tenaz da febra. És meu amigo mas acredita que levas com ela. Há coisas que nunca mudam sabes? Não te preocupes com a louça amanhã também é dia e o de hoje é para ti. Não haverá hora para partir só hora para ficar…

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