Jorge Santos

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03/07/1961

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Sobre mim

Actografia

 

Creio no universo como um homem vulgar,

Não tenho filosofia que me defina,

Nem lugar em que gostasse de falecer,

Não consinto a vida, assimilo-a como a morfina,

 

Recolho-a nos campos e onde me deixam colher.

Acervo, incorporo tal-qual cobra, a peçonha,

Hasteio-a na haste mais fina que houver,

Enquanto flor do estio, fonte do sol, neblina,

 

Embora possua um instinto próprio de mulher

É o corpo e não a frágil alma destas que me fascina,

Autista no que exijo e existo sem o que conheço eu, entender,

Como se tudo fosse uma farsa da negação minha,

 

Disposta a tudo e ao que deus quiser, se isso doer, 

O sol-pôr é um analgésico, uma agonia Celestina,

Com ele me uno a disciplina de desaprender,

E as inocentes crenças do virar das'quina,

 

Verdades transitórias e de aluguer...

Porque, como disse, não faço uso da inteligência divina,

(limito-me à opinião por estabelecer)

Tenho a demência, como estranha e inexplicativa vizinha,

 

Profundamente hipócrita na sua naturalidade e ilusão de freelancer.

Estou cansado de ser forçado a querer,

Mas não creio no universo que me dizem existir,

Já que a máquina de mentir fui eu que a criei.

 

Serei realmente gente?

 

Joel Matos (02/2011)

http://namastibetpoems.blogspot.com

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