Pai para sempre

 

Pai para sempre

Português
Eu queria te dizer tantas coisas, mas você não está mais aqui para ouvir. Falar de você é falar de amor, carinho, dedicação, honestidade, caráter e muitos outros predicados que você possuiu.
Não lembro nenhuma vez de teres erguido a voz quando eu fazia alguma coisa errada. Bastava olhar para os teus olhos para saber que que desaprovavas. E como sabias esconder nossas artes, para que a mãe não descobrisse alguma sapequice que  fazíamos, como brincar de correr dentro de casa. Começávamos a correr e a pular de calçado em cima da cama da mãe e a correr um atrás do outro, dando voltas pela casa.  Foi então que a mãe, que estava na cozinha, preparando o almoço, pediu ao pai que nos fizesse para de correr’. Mas ele estava achando aquilo tudo uma brincadeira inocente e rindo com a nossa algazarra. Então ela disse,dá umas chineladas nessas crianças se não pararam de correr. Chineladas? Para que? Você jamais ergueria a mão para um filho teu. Como a mãe insístia, você tirou o chinelo do pé e agarrou o primeiro que passou na tua frente, A chinelada não fez nenhum som, mas o primeiro a tomar a falsa chinelada gritava tanto que foi se fechar no quarto. Chegou a vez do irmão do meio. Aconteceu a mesma coisa. Ele correu a se trancar no quarto  e gritava tão alto – ai minha bunda – que até os vizinhos chegaram a ouvir. Quando chegou a minha vez,ele me pegou pelo braço e fez a mesma coisa: fingiu que batia. Mas a dor emocional foi maior do que se tivesse nos batido de verdade.
Talvez por eu ser a primeira filha, você tinha um imenso carinho por mim. Se saíssemos a caminhar pela rua e eu visse alguma coisa interessante na vitrine, ele logo mandava eu entrar lá e perguntar o preço. Então ele abria a carteira e me dizia: vá lá comprar.
É certo que sempre fazíamos algumas coisas escondidas da mãe, principalmente no domingo quando ela ia a igreja e nos deixava só com você, enquanto preparávamos  o churrasco. Eu logo ia preparando uma caipirinha, para tomar acompanhado de algum petisco, Quando era hora da mãe chegar, você transferia a caipirinha para a cuia de chimarrão. E ela chegava dizendo: ai, to verde por um chimarrão! Então era hora de preparar novo chimarrão, esquentar mais água e acabar com a brincadeira.
São tantas lembranças boas, meu pai, que eu não conseguiria  condensa-las todas aqui. Só o que posso te dizer agora, é que fostes o pai mais maravilhoso que eu tive a felicidade de conhecer.

 

Esteja em paz, onde estiveres, porque no meu coração sempre existirás.  
 
Débora Benvenuti
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