perfume

 

perfume

Português

Procurei-te no silêncio que tão intensamente a minha voz carregava consigo
Procurei-te por entre o meio dessa vastidão, tentei fazer de ti o meu abrigo
Tentei contornar obstáculos em movimento, mudar a cor do céu, tão azul ainda
E na mais cruel das ansiedades, foi ver a tua face que me salvou, tão bela ainda

Corri até não poder mais, mas nenhuma gota de suor demonstra que o fiz
E dentro de mim, é porventura maior a corrida, o desgaste, o sentir-me infeliz
Reúno as forças, aquelas que sei não possuir e deixo-me ficar aos gritos
Berros de loucura que a voz não gasta, berros de loucura que exclamam os aflitos

Sou imperfeito, não procuro ilusões e iludo-me constantemente, eu sei
Sou os pés que demoram a andar, não sou o bobo da corte, também não sou o rei
O que eu sou é o que eu procuro saber, quando essa devia ser a maior das certezas
E aquilo que eu faço com o pouco ou nada que sei de mim, é chorar tristezas

Queria partilhar alegrias contigo, com o mundo, mas como se não acredito nelas ?
Como posso imaginar amar outra pessoa, se tu de todas és de longe das mais belas ?
E com esse perfume caracteristico, que sem cheiro, distingo de todos os demais
Eu solto-me das amarras que me prendem e sem saber como, luto até não poder mais

E depois de tão intensa luta, eu caio aos teus pés, aos pés de qualquer miragem
Voltei a morrer, a ressuscitar, a viver tudo de novo, a sentir-te a fazer a viagem
Esse caminho que percorremos, mesmo parados, mesmo não nos movendo sequer
É ainda hoje, no meio de tanta loucura e insanidade, o que nos faz viver

 

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