Poesia Desinspirada

 

Poesia Desinspirada

Português

Desgraçado

 

Serás um desgraçado

Onde irei desabafar

O triste enfado

Quando este me atacar.

 

Nada importa a qualidade

Da rima que é improvável.

Deixo-te apenas a saudade

De ser Saudável.

 

Meu espírito está doente,

Infetado pl'o pensamento

Para partilha sem ente.

 

Sejas tu a voz da minh'alma

E registo do Sonho

Que nunca acalma.

 

 

Poesia

 

A poesia escreve-se do coração.

A poesia é sentimento de calma.

A poesia é apenas Paixão,

Palavras maiores que a alma.

 

 

Vazio

 

Vazio, desinspiro-me fácil

No teu ventre dócil

De aconchego eterno...

 

Durmo certo que voltarás

Assombrando-me com esse querer

Sem querer.

 

 

Muuu (ponto final)

 

A vida é poema estrambólico,

Sem rima, sem rumo,

Fado quase alcoólico,

Obra sem prumo...

 

As rédeas são a consciência

Olhando, observando,

Tentando a omnisciência,

Insconsciente que nela nunca se vai estando.

 

Somos estes que espreitam pelos olhos atentos!

Homens quase bovinos,

Lutando contra sentimentos

Na vida matutinos.

Somos canibais do próprio couro,

Somos carne para o matadouro.

 

 

Querendo

 

Quero isto, aquilo

E acoloutro,

Quero aquilo

E mais outro.

 

Quero sempre

Sem querer

E quererei

Até morrer.

 

Quero sem porquê,

Sem saber,

Sentimento que não vê...

 

Quero tudo,

Tenho nada,

E nada mudo.

 

 

Delírios

 

Sei que somos mais

Do que simples delírios

Daqueles sempre fatais.

 

Sei que somos menos

Do que simples delírios

Que sempre temos.

 

Somos qualquer coisa

Mal amanhada

Que para aqui anda apeada

Sem saber onde poisa.

 

E se um dia vier a saber

Será hora de morrer.

 

 

Céu

 

É fácil pregar o valor.

É difícil pisar essa praia

Cuja areia queima já com o alvor

Que na primavera faz crescer a maia.

 

Perdidos somos do fim ao começo

Desta viagem sem final certo.

Pergunto-me se mereço

Ter juizo aqui tão perto.

 

Somos do grão ínfimo

Que compõe as estrelas.

Pois façamos a gentileza de no íntimo

Nos inspirarmos nelas.

 

Soutros

 

Ah corpo moído

Pouco são!

Quanto de ti caído

Seria meu se de outros não?!

 

Curiosa infelicidade

De haver felicidade

Nas dores próprias

Da vontade alheia.

 

Passa-se a força

E nunca a vontade,

Vão-se as dores,

Fica a saudade.

 

 

Que ingrata

 

Que ingrata

Esta vida desnaturada

De sentido mentecapta

Que de tudo sabe a nada.

 

Somos peão sem rainha

Num xadrez eterno de ameaça,

Iludido na sorte sabendo que a não tinha

E sem mais nada fugindo de desgraça...

 

Não mereço o triste fado

Que me apresentam certo

Sem direito a ser zangado!

 

E valha-me o quê

Se estou vivo e triste

E não sei porquê?

 

 

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