NÃO É VERDADE

 

NÃO É VERDADE

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NÃO É VERDADE

 

Não é verdade que deixei de te amar. O amor é e será sempre amor, apesar da distância que nos separa.

Não é verdade que não tenho saudades tuas, do teu toque na minha pele morena e macia, ou de sentir a tua língua sorvendo os meus seios erectos, resultado da excitação a que me levas quando me possuis e me entrego sem qualquer preconceito ou dúvida.

Quando me chamas – com uma voz suave e melodiosa –, sei que a flor do teu desejo está acima da tua capacidade de raciocinar. Sei que não é verdade quando me dizes – a brincar –, que já não me amas, mas que apenas desejas a minha carne, o meu sexo, a mim…

Um dia partiste. Nada mais soube de ti. Fiquei como a lua, perdida atrás das nuvens escuras, girando, girando sem nunca parar, sem saber onde e como te reencontrar.

Não é verdade! Não posso acreditar que seja verdade! Para onde foi o amor que me tinhas? Afrodite seduziu-te. Não posso rivalizar com ela! Uma Deusa é uma Deusa, capaz de te deslumbrar com a sua beleza infinita. Eu, uma simples e mera mortal que te ama, jamais terei o condão de rivalizar com ela. Não é esse o meu desejo. Quero-te sim, mas de corpo inteiro, palpável como se fosses “um gato” quente, dócil e meigo, que me esgravata as entranhas alvoroçadas por ti.

Apenas e só eu quero. Tu falaste a verdade, mas eu não ouvi, ou melhor, não quis ouvir. Mentecapta, é o que eu sou. Só assim se justifica o amor que ainda sinto por ti.

Um dia estendeste-me a mão. Agarrei-a. Quis amarrar-te, mas tu, qual cavalo alado, levantaste voo numa bela madrugada quando os primeiros raios de sol começaram a despontar.

Choro. Valerá a pena? Lágrimas salgadas jorram pela minha face e não sou capaz de parar. Apetece-me gritar – gritar muito alto –, para me libertar da mágoa, da angústia que tenho no meu peito. Não sou capaz. Fico estática, rosto molhado, um sabor acre nos lábios e… silenciosa.

A dúvida permanece, martelando-me a mente, de forma descontrolada. Dentro do meu cérebro uns turbilhões, efervescentes, de ideias deixam-me alienada.

Memórias inolvidáveis dos bons e dos maus momentos que vivemos; foram outos tempos, mas “não é verdade que…” apenas porque não pode ser verdade.

 

NATÁLIA  VALE

 

 

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