O meu sonho era pequeno, tu perdeste-me de o sonhar

 

O meu sonho era pequeno, tu perdeste-me de o sonhar

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Insististe, persististe e não desististe! Foi somente até ao dia que nos teus braços me abandonei,
Desfolhaste-me a rosa como se fosse uma página qualquer, uma outra folha, como essas que se levantam nas ruas com o vento dos carros que por elas passa, essas que escrevem cada uma a sua maneira os caminhos e opções que as obrigaram nas consequências que traçaram-lhes o destino, essas no meio de muitas que não, pintam doenças ao freguês que as compra por desejos,
que matam raivas e desgostos, na sua fria carne, que já nada real sentem do prazer que não lhes consente , frígidas, como quem não está presente, ali apenas a olhar o relógio e a fazer contas dos escassos minutos que têm, para que outros comboios carentes, da loucura tresloucada que desconhecem conscientemente, parem nas estações de um banco de automóvel, num jardim ou motel de uma esquina escondida.
A minha rosa foi a honra que guardei para ti e na desonra, viraste-me as costas,
extinguiste-te de mim, da relevância dos meus sentimentos,
Quem sabe ainda andes por aí a cantar a desfolhada com as tontas, que como eu, em ti imprudentemente acreditaram…
Nos meus braços carrego semente de ti, por descuido ou porque acreditei cegamente nas tuas promessas, esqueci-me de me programar, também não sabia! Eu era uma menina ingénua lá da província, bonita, mas sem horizontes, pois nos meus sonhos morava um lar, um pequeno jardim, um cão ou um gato e muitos meninos e meninas, nossos, a brincar…
Hoje moro quase na rua, vivo num quarto paredes meias de gritos e gemidos, de pancadaria, droga e mortes,
perdi-me de desgosto da desilusão que tenho por ter-me iludido de amor fingido,
Hoje não tenho mais nada e todos meus gestos de amor por ti foram inúteis,
hoje tudo o que faço, é ensinar ao meu filho a ser homem de verdade,
para que não ande um dia por aí, a estragar as rosas dos jardins sinceros e a destruir pequenos sonhos,
Hoje sou apenas uma porta que se abre e fecha, a serventia de um futuro que o passado vai perseguir. Em mim, não há mais nada meu, senão um sonho que quero esquecer, porque tu perdeste-me de o viver.
Fiquei presa nesta vida.

Autor: Walter Aguiam.
Foto de Walter Aguiam.

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Comentários

não há mais nada meu, senão

não há mais nada meu, senão um sonho que quero esquecer

muito bom

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