Chacina dos mortos

 

Chacina dos mortos

Português

A mesma aurora que nasce em céu já nítido

E faz avivarem-se as bocas sonolentas

Faz brotar, sem a devida licença

As mágoas que carregam os olhares oprimidos

 

A marcha caminha para o que a desalenta

Sem perceber o escorrer do sangue da carne

E na ilusão de que aquilo a deveras sustenta

Negligencia a flor que no peito arde

 

Ó! Quão desordeiras são essas mentes miúdas

Que na ignorância da sombria dor aguda

Não vê que cavas com a míngua o próprio abismo

 

E, no dia em que levantarem-se, estarão inertes

Triturados pela fome imensurável dos vermes

E enxergarão, já tarde, o próprio estrabismo.

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