Meu oposto

 

Meu oposto

Português

Minha pulsão de morte

Não age em conservação da vida

De tudo que é belo

De tudo que é triste

Hei de absorver o oposto

 

Aos moralistas, serei ímpio

E aos ímpios, serei navalha

Retirarei meu próprio sangue

Em nome da insanidade

 

Aos meus ídolos, serei iconoclasta

Regurgitarei os dizeres perpetrados

Pelos de mente pura

Porque eu quero o limo

A sujeira extrema da alma

Em sua mais lívida pureza

 

Do mar, quero seu doce

E da lua, quero o eclipse

Abomino os caminhos

Quero a morte de tudo que não rasteja

Quero o suspiro de tudo que não respira

 

Mas da lisura daquelas pernas

Do brilho incessante daqueles olhos

Da delicadeza daqueles dedos

E daqueles tenros lábios

Quero ser novamente oposto

A tudo que fui outrora

E querer não mais

Que somente isto.

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