Estou loucamente apaixonado… Pelas ondas que me rebentam, areias que me sustentam quando o vento me canta o fado. Tenho o trânsito no paladar,
Quando percebi que jamais te iria ver,
que jamais te iria tocar...
Senti que era tarde.
Jamais poderia sentir o teu toque firme,
a tua face quente,
O som da chuva na minha janela
trouxe a tranquilidade de uma noite serena,
mas não te trouxe.
O suave sopro do vento
trouxe um alheamento da realidade,
Dois corpos que o fogo incendeia
Dois corpos que se cruzam
Dois olhares que se encontram
Dois destinos que se unem
Será isto o Amor?
Será isto a vida?
Me vejo, me complico
Te vejo, logo existo
Não resisto...
Queria ter dito
Que saudade...
Consome, que invade
Me faz ser covarde
O criminoso
Invadir o meu olhar é proibido
Na minha justiça é crime
Sempre protegida com óculos escuros
Mas, nada vale.
A madrugada suicidava-se em gemidos contra a cal
Os corpos desnudos guardavam ainda a frescura do linho e o fogo da seda.
Pode o corpo diluir-se num fôlego e cada curva falar sobre saudade? Podem as nossas mãos ser asas audaciosas que sobreviveram aos caprichos´ do tempo?
Sei declamar-te
De olhos fechados,
De braços cruzados
[Em ti, de preferência]
Consigo ditar-te,
Descrever-te ao pormenor
Dizer-te de cor
Se não puderes ser poeta no mundo,
sê poema na intimidade.
Mas sê poema único e harmonioso,
- Embebeda-me o crânio De mentiras ilusórias Cria em mim um sonho Fantasias e dilemas Não me largues Mesmo largando E faz-me viver O que nunca quis
Procura-me nos farrapos altivos de algodão
que no céu foram deixados como nuvens,
Procura-me na espuma das ondas do mar
que volteiam na praia a cada segundo,
- Um maço e uma lua As pessoas lá em baixo, Olha para elas Tão envolvidas em si mesmas, Tão distantes de tudo
Que o Amor seja o motivo e não a desculpa.
Que seja um encontro e nunca uma fuga. Que seja a cura e jamais o que faça sofrer.
- Desejo fabricado que te agarra.
E sufoca e te marca.
Destruindo-te, ele ataca.
Não ouvido, ele mata.
Láu Oliveira
Podem meus olhos dizer mar, ao acordar
e neles me deitar a navegar.
Podem meus olhos dizer livros e letras
e escrever neles frases perfeitas.
Que, debaixo do manto
Negro do dia,
Por entre corridas,
Chegadas e saídas,
Em ti sintas
O rio que te move
E vás construindo pontes,
- Come-lhe as entranhas Beija-lhe o fígado Lambe-lhe o cérebro Acaricia-lhe os ossos Mexe-lhe no estômago Destrói-lhe o pulmão Cansa-lhe os músculos.
De todos os livros escolhi poemas
Por que sol, por que espigas, por que pão
Porque o conforto do teu coração.
De todos os verbos escolhi dar
- Um copo de vinho e nós Sem sermos realmente nós Mas tão bem amassados Dentro de mim São conversas passageiras Que me passam por inteiro Juro bem jurado
É à noite.
À noite...
Quando o sol se esconde
e a sombra se estende,
Quando a lua clareia
e o sono golpeia,
Quando as estrelas cintilam
Esta noite na madrugada veio um anjo em mim escrever
Teu nome na alvorada do meu ser
Foste feito de minha fé, criado por minha mão
Foste o ser e o não é da minha ilusão
Aqui mora a Saudade com S maiúsculo de Sem ti
Mora o prejuízo da falta de liberdade e a tristeza de quem não sai de si
A estrela que me guia foi a última a nascer
- Já todas as outras começavam a esmorecer
Mas o seu brilho é diferente de qualquer outro brilhar
É voz de sal e luz ao luar
Que encanta meu mal, que seduz meu amar
E nós que ouvimos tal cantar
Mais puro que ouro que reluz ao brilhar
Que força é esta que vem sem ser chamada, Que some feito fogo de palha ou fica na vida encravada?
Sorris-me no assomo de um cansaço. Espelhas-me nos teus olhos e contas-me o teu dia. Ainda. Quando já passou uma vida por nós.
Pergunta ofegante Ao poeta o diletante:
- O que é o amor?
Responde o poeta Em lírico ardor:
- Amor é a expressão maldita De uma intransigência da vida.
Amamos, rimos e sentimos tudo com uma intensidade elevada ao cubo.
Não somos quadrados mas sim redondos rebolando para o lado da alegria, da ternura, do carinho, do amor.
Quero-te como sempre te quis a partir do dia em que soube que te podia queres.
Em que percebi que estavas ali e que eu também existia.