Amor

 

Apaixonado

Estou loucamente apaixonado…
Pelas ondas que me rebentam,
areias que me sustentam
quando o vento me canta o fado.
Tenho o trânsito no paladar,

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É tarde!

Quando percebi que jamais te iria ver,

que jamais te iria tocar...

Senti que era tarde.

Jamais poderia sentir o teu toque firme,

a tua face quente,

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Ausência

O som da chuva na minha janela

trouxe a tranquilidade de uma noite serena,

mas não te trouxe.

O suave sopro do vento

trouxe um alheamento da realidade,

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Dois

Dois corpos que o fogo incendeia

Dois corpos que se cruzam

Dois olhares que se encontram

Dois destinos que se unem

Será isto o Amor?

Será isto a vida?

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Consequências do amor

Me vejo, me complico 

Te vejo, logo existo 

Não resisto...

Queria ter dito

 

Que saudade... 

Consome, que invade 

Me faz ser covarde 

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o criminoso

O criminoso

Invadir o meu olhar é proibido

Na minha justiça é crime

Sempre protegida com óculos escuros

Mas, nada vale.

 

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amor

  1. Suicídio

 

A madrugada suicidava-se em gemidos contra a cal

Os corpos desnudos guardavam ainda a frescura do linho e o fogo da seda.

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Tempo

Pode o corpo diluir-se num fôlego e cada curva falar sobre saudade? Podem as nossas mãos ser asas audaciosas que sobreviveram aos caprichos´ do tempo?

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De cor e salteado

Sei declamar-te

De olhos fechados,

De braços cruzados

[Em ti, de preferência]

Consigo ditar-te,

Descrever-te ao pormenor

Dizer-te de cor

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Ser poema

Se não puderes ser poeta no mundo,

sê poema na intimidade.

Mas sê poema único e harmonioso,

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VI

- Embebeda-me o crânio
De mentiras ilusórias
Cria em mim um sonho
Fantasias e dilemas
Não me largues
Mesmo largando
E faz-me viver
O que nunca quis

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Quando quiseres saber de mim

Procura-me nos farrapos altivos de algodão

que no céu foram deixados como nuvens,

 

Procura-me na espuma das ondas do mar

que volteiam na praia a cada segundo,

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V

- Um maço e uma lua
As pessoas lá em baixo,
Olha para elas
Tão envolvidas em si mesmas,
Tão distantes de tudo

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O Amor

Que o Amor seja o motivo e não a desculpa.

Que seja um encontro e nunca uma fuga.
Que seja a cura e jamais o que faça sofrer.

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III

- Desejo fabricado que te agarra.

E sufoca e te marca.

Destruindo-te, ele ataca.

Não ouvido, ele mata.

 

Láu Oliveira

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Meus olhos

Podem meus olhos dizer mar, ao acordar

e neles me deitar a navegar.

Podem meus olhos dizer livros e letras

e escrever neles frases perfeitas.

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Senda

Que, debaixo do manto

Negro do dia,

Por entre corridas,

Chegadas e saídas,

Em ti sintas

O rio que te move

E vás construindo pontes,

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II

- Come-lhe as entranhas
Beija-lhe o fígado
Lambe-lhe o cérebro
Acaricia-lhe os ossos
Mexe-lhe no estômago
Destrói-lhe o pulmão
Cansa-lhe os músculos.

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Escolher

De todos os livros escolhi poemas

Por que sol, por que espigas, por que pão

Porque o conforto do teu coração.

 

De todos os verbos escolhi dar

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I

- Um copo de vinho e nós
Sem sermos realmente nós
Mas tão bem amassados
Dentro de mim
São conversas passageiras
Que me passam por inteiro
Juro bem jurado

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É à noite

É à noite.

À noite...

Quando o sol se esconde

e a sombra se estende,

Quando a lua clareia

e o sono golpeia,

Quando as estrelas cintilam

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O Anjo

Esta noite na madrugada veio um anjo em mim escrever

Teu nome na alvorada do meu ser

Foste feito de minha fé, criado por minha mão

Foste o ser e o não é da minha ilusão

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Saudade

Aqui mora a Saudade com S maiúsculo de Sem ti

Mora o prejuízo da falta de liberdade e a tristeza de quem não sai de si

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Estrela guia

A estrela que me guia foi a última a nascer

- Já todas as outras começavam a esmorecer

Mas o seu brilho é diferente de qualquer outro brilhar

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Voz

É voz de sal e luz ao luar

Que encanta meu mal, que seduz meu amar

E nós que ouvimos tal cantar

Mais puro que ouro que reluz ao brilhar

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Que Força É Esta?

Que força é esta que vem sem ser chamada,
Que some feito fogo de palha ou fica na vida encravada?

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Ainda

Sorris-me no assomo de um cansaço.
Espelhas-me nos teus olhos e contas-me o teu dia.
Ainda.
Quando já passou uma vida por nós.

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A Maldição

Pergunta ofegante
Ao poeta o diletante:

- O que é o amor?

Responde o poeta
Em lírico ardor:

- Amor é a expressão maldita
De uma intransigência da vida.

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Sonhador

Amamos, rimos e sentimos tudo com uma intensidade elevada ao cubo.

Não somos quadrados mas sim redondos rebolando para o lado da alegria, da ternura, do carinho, do amor.

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Quero-te

Quero-te como sempre te quis a partir do dia em que soube que te podia queres.

Em que percebi que estavas ali e que eu também existia.

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