Se eu pudesse desenhava o teu corpo,
Com uma delicada pétala de rosa,
Todos os teus contornos divinos e puros,
A tua pele suave, a doçura do teu olhar,
Pés descalços, cabelos ao vento ...
Na cara desenhados os rios salgados
Que correm apressados e que não desaguam no mar,
O Sol queima o meu corpo perdido
Quando eu entrar por aquela porta,
Não me digas nada.
Guarda as palavras que não são só minhas,
até que encontres novas para dizer.
Fica num silêncio ensurdecedor,
Há dias em que me sinto capaz de virar o Mundo ao contrário.
Colocar o mar no ar e trazer o céu para o chão.
Vogar ao sabor das ondas do céu e voar, planar no mar.
Continuas aqui, mas não o mesmo. Desfizeste-te dos encantos, da ternura vencida, dos olhos que me alargavam o mundo. Tanto tempo me impuseste o universo, tantas vezes me despedi sempre a ficar.
Ela põe, pombos no beiral da minha janela, a lerem o tumolo da minha alma.
Ela mostra me os rostos famintos de amor, e seduz o meu olhar, numa nevoa de pranto.
Rasguem-me a pele as carícias do teu ser;
Tu, que tecnopólis idolatrada te afirmas,
Inovas-me o espírito ao invés de o envelheceres
Matas-me o delírio de que te designas.
Se eu pudesse deitar a cabeça
sobre um peito qualquer
o teu seria o que queria e o sono
pesado, a pesar no corpo esgotado
exausto do cansaço de só me cansar
Breve, tão breve...
Tão breve és no meu tempo
Adormeces-me de dor no instante em que me foges
Quando olho, já és só o lugar onde te via
Breve, me deixas