Pensamento

 

Nunca hoje

Longe

O sismo da morte

Pode habitar-me

Além da sorte 

Dos pássaros

Nunca hoje

 

Outra idade

Eleva-se ao tapete

Dos sonhos

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Estrelas

Tombo para as estrelas

Que dormem

Sobre planetas de cal

Acesas nos poemas

Que chegaram ao fim

Sem a dúvida

De que envelhecemos

Em grãos de sal

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Outro dia

Solto o meu baloiço

De sonhos

Sobre terra de mel

Uma abelha voa a prumo

Bate as asas ao sabor

De uma vida completa

Que eu transcrevo e apago

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Garrafa de vidro

Vivo

Para esfiar 

O sol de inverno

Que abandonaste

Sobre os pés descalços

Dos deuses

Que esqueceram

O inverso de si

No lugar

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Tudo como dantes

Sei do trigo

Para onde vai

 

Adivinho

O vento do sul

 

Antecipo

Tudo como dantes

 

Porque dói tanto então?

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Espelho das horas

Adivinho o espelho

Das horas

Pendente

No dia puro

Que me deixaste

Para conhecer

Todas as sombras

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Como o Outono

Vejo-te

Como o Outono

A chegar

De poucas vestes

E sem maquilhagem 

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Era como os gatos

Naquela hora

Era como os gatos

Entendia tudo

Mas não queria saber

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Arco-íris

Ontem vi um arco-íris. 

Perguntei-me quando foi a última vez que vi uma arco-íris? Não consegui lembrar. Foi aí que percebi que certamente fez muito tempo. 

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Nascimento da arte

Do nascimento da arte não hà àtomos. È criação pura, chega à morte de outra coisa ainda. Até ao infinito sem ninguém a descobrir, em cada instante de vida flui na indefinição e perfil sem traço.

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Concha

A concha na praia

guarda o fundo do mar:

 

a sua morte

é espuma que dura

e se revê apenas

quando o silêncio chega

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Folha molhada

Era uma folha molhada

À espera da eternidade

Premediatada como um crime

Só eu encontrei dela o fundo do filme

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